Como tratar a perda auditiva em crianças

A capacidade auditiva é importante para as crianças desenvolverem habilidades de fala e linguagem à medida que crescem. No passado, dificilmente a perda auditiva em crianças era detectada precocemente, a não ser quando a criança apresentava atraso de linguagem, não falando ou fazendo trocas excessivas na fala. Isso acontecia geralmente depois dos 3 a 5 anos de idade.

Embora a incidência seja mais comum entre os idosos, a perda auditiva também afeta recém-nascidos, crianças e adolescentes. No entanto, identificar a deficiência em crianças o mais rápido possível é fundamental, por ser um período da vida crítico para o desenvolvimento da linguagem, comunicação e aprendizagem.

Neste artigo, você vai conhecer as principais causas da perda auditiva infantil, como funciona o diagnóstico e a importância dos pais e da família durante o tratamento. Vamos lá?

As causas da perda auditiva em crianças

Vários fatores podem causar a perda auditiva em crianças. A perda auditiva congênita é aquela em que a criança já nasce com essa dificuldade, ou seja, desde a gestação ela já tem dificuldades para escutar. Já a perda auditiva que ocorre após o nascimento é denominada perda auditiva adquirida.

A perda auditiva congênita pode ser causada por fatores genéticos, mas também por outros fatores, como uma infecção durante a gravidez, prematuridade, lesão ao nascer e outras condições de saúde.

A perda auditiva adquirida pode ter diversas origens, incluindo frequentes infecções de ouvido, infecções virais e bacterianas, como meningite ou sarampo, ferimentos na cabeça e exposição a ruídos muito alto em caixas de som ou fones de ouvido.

Os principais sinais da perda auditiva

No Brasil todos os bebês devem passar por um exame auditivo ainda na maternidade, a triagem auditiva neonatal universal (TANU), conhecida como teste da orelhinha. Esse exame tem como objetivo indicar possíveis alterações já nos primeiros momentos de vida da criança.

A perda auditiva profunda pode ser percebida mais facilmente porque a criança não reage aos sons muito altos, como um trovão, o bater de uma porta, uma música muito alta. No entanto, perceber formas mais brandas de perda auditiva — incluindo a perda auditiva em apenas uma orelha — pode ser mais difícil.

É por isso que as avaliações auditivas regulares, durante o crescimento e desenvolvimento das crianças, são tão importantes. Especialmente no período escolar, quando a audição é fundamental para a aprendizagem.

As crianças aprendem a falar, ouvindo a fala das outras pessoas. Sendo assim, a perda auditiva pode causar dificuldade para aprender a falar e atrasar o seu desenvolvimento da linguagem.

Por esse motivo, é importante prestar muita atenção à saúde auditiva das crianças, observar como seu filho está aprendendo a falar e entender a sua  linguagem, quando comparado a outras crianças da mesma idade.

É necessário ficar atento a alguns sinais que podem indicar que seu filho tem perda auditiva, como:

  • Assistir à televisão num volume mais alto que outros membros da família;
  • Posicionar um dos ouvidos para a frente quando está ouvindo;
  • Dificuldades escolares;
  • Uso frequente de “o que?” (pede sempre para repetir o que é dito);
  • Alterações no comportamento na família e em sala de aula;
  • Dificuldade em entender a fala quando o ambiente é barulhento;
  • Desatenção e falar mais alto que o habitual.

Os perigos para o desenvolvimento escolar das crianças

O ideal é que todas as crianças com perda auditiva devem ser acompanhadas por uma equipe multidisciplinar que inclui otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos, pediatras, psicólogos e especialistas em educação.

As crianças com deficiência auditiva costumam enfrentar problemas para se adequar ao ambiente escolar, sendo indispensável contar com o devido acompanhamento pedagógico com boas estratégias de inclusão. Ainda, é natural haver certa resistência de outras crianças diante de tudo o que é diferente. Nesse sentido, é importante também acompanhar a interação da criança com perda auditiva com as demais, a fim de combater possíveis preconceitos e um isolamento na vivência escolar.

Todo esse contexto pode levar a consequências sociais sérias para essas crianças. Muitas delas não conseguem comunicar, por vergonha, que não ouvem o que o professor ou os outros alunos estão dizendo, por exemplo. Por isso, certifique-se de que a escola consiga acolher e dar suporte às necessidades de uma criança com perda auditiva. As opções educacionais variam de acordo com o grau de perda auditiva e capacidade cognitiva da criança. No entanto, já podemos adiantar: o desenvolvimento de habilidades de comunicação é o objetivo básico dos programas de educação infantil para crianças com deficiência auditiva.

Conheça a história da Anny de 10 anos, criança com perda auditiva diagnosticada.

O diagnóstico infantil

Quanto mais precoce for iniciado o tratamento, menores serão os impactos nas etapas do desenvolvimento da criança.

Dentre as opções de reabilitação auditiva estão o aparelho auditivo, a terapia de linguagem e o implante coclear — dispositivo eletrônico, parcialmente implantado, que amplifica o som e o transforma em impulsos elétricos que são enviados ao sistema auditivo central. O implante coclear é uma solução quando não há benefício com o uso de aparelhos auditivos convencionais.

O aparelho auditivo é indicado para a maioria dos casos de perda auditiva. A terapia de linguagem, por sua vez, é fundamental para auxiliar o tratamento e auxiliar no desenvolvimento global da criança..

A participação dos pais no tratamento

É essencial o envolvimento dos pais e familiares para auxiliar a criança no uso do aparelho auditivo. Também é fundamental que os pais participem intensamente da adaptação e comemore pequenos avanços até que os aparelhos auditivos sejam utilizados naturalmente em tempo integral.

Sempre leve consigo baterias extras e ensine seu filho e a escola a manusearem o aparelho auditivo. É importante que a escola seja parceira e trabalhe para integrar o aluno, entendendo suas particularidades. Os microfones e receptores remotos, como o sistema Roger podem ser outro aliado em sala de aula, auxiliando as crianças nas atividades que envolvem ouvir com ruído competitivo, distância e eco.

Desenvolvido pela Phonak, o Roger é um microfone sem fio que envia os sons diretamente ao receptor conectado no ouvido do usuário. Assim, a criança ouve a fala diretamente em seus ouvidos, sem a interferência de ruído de fundo, facilitando a compreensão dos sons.

Por isso o tratamento deve começar o mais cedo possível — mesmo quando a criança tiver apenas alguns meses de idade. O tratamento precoce da perda auditiva em crianças permite que elas desenvolvam suas habilidades linguísticas e de aprendizagem de forma satisfatória.

Gostou das dicas de como identificar a perda auditiva em crianças? Então, não deixe de ler nosso outro artigo sobre a importância de ouvir, alcançando a qualidade de vida e contato com o mundo!

 

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