Qual a diferença entre o surdo e o deficiente auditivo?

Frequentemente, ouvimos os termos “surdo” e “deficiente auditivo” sendo utilizados de maneiras distintas, seja na conversa do dia a dia ou até mesmo na fala de alguns especialistas.

A questão é: existe alguma diferença entre a surdez e a deficiência auditiva?

Antes de tudo, a questão é mais comum do que parece. Em 2017, por exemplo, o tema foi abordado na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), na qual os estudantes deveriam discutir sobre os desafios para a formação educacional de surdos no Brasil.

O que acontece é que, para evitar a repetição de palavras no texto, muitos alunos se referiram aos surdos como deficientes auditivos. Ao finalizar a prova, ficaram preocupados se essa substituição é realmente correta e se poderia causar a sua eliminação do exame.

Se você também tem dúvida nisso, pode ficar tranquilo, pois a substituição é correta. A diferença está na forma como as pessoas lidam com os termos. Confira!

Surdo ou deficiente auditivo?

Existem comunidades que não chegam nem a considerar a surdez como uma deficiência. Para elas, a surdez é vista como uma identidade e uma marca cultural da comunidade. Eles se comunicam exclusivamente pela língua de sinais (LIBRAS), utilizando ou não um aparelho auditivo para melhorar a comunicação. Caso fossem chamados de deficientes, sentiriam-se bastante ofendidos.

 

Por outro lado, algumas pessoas com perda de audição preferem não serem chamadas de surdas e já se ofendem com o termo.

Alguns especialistas podem divergir sobre a questão e você pode até ouvir falar em alguma distinção entre os termos, principalmente com relação ao grau de perda da audição. O importante é que, para os profissionais de saúde da área, o fonoaudiólogo e o otorrinolaringologista, não importa a nomenclatura, mas sim o grau da dificuldade do paciente e onde está a lesão.

A partir da identificação desses dois aspectos é possível determinar o prognóstico para o tratamento e reabilitação auditiva da pessoa que está com dificuldades de audição.

Como posso identificar uma deficiência auditiva?

Em geral, o grau de deficiência auditiva de uma pessoa é diagnosticado com base no volume de som que é capaz de ouvir, tendo como referência os decibéis – uma das unidades de medida do som. Para isso, a principal forma de análise é a observação do quão alto um som deve estar até a pessoa conseguir percebê-lo.

Adultos que conseguem ouvir em torno de 20 decibéis (dB), por exemplo, estão com uma boa saúde auditiva e ouvem todos os sons normalmente. A partir daí, quanto maior o número, maior o grau de perda auditiva.

Existem quatro principais graus de deficiência auditiva, que você pode conferir abaixo.

  • Deficiência Auditiva Leve: pessoas com esse grau de perda auditiva tendem a identificar sons entre 25 e 40 decibéis. A perda provoca dificuldades em atividades comuns do dia a dia, como dialogar com outras pessoas, ouvir o canto dos passarinhos e escutar sussurros. Ambientes muito barulhentos ou com ruído dificultam ainda mais a rotina de pessoas com esse grau de deficiência auditiva.
  • Deficiência Auditiva Moderada: pessoas com esse grau de deficiência conseguem perceber sons em torno de 41 a 70 decibéis, no mínimo. Sendo assim, apresentam uma dificuldade maior para entender a fala e manter um diálogo no dia a dia.
  • Deficiência Auditiva Severa: esse grau é considerado severo, pois pessoas diagnosticadas com ele conseguem ouvir apenas sons a partir de 71 decibéis. Coisas simples e cotidianas, como o toque do telefone, não são percebidas e a comunicação com outras pessoas é bastante prejudicada. Muitas vezes, é necessário gritar para que a pessoa consiga compreender a fala.
  • Deficiência Auditiva Profunda: pessoas com perda auditiva profunda são capazes de perceber sons somente a partir de 90 decibéis. Muitas vezes, por ser um caso mais grave, o recomendado é a utilização de implantes cirúrgicos para a perda auditiva profunda, como o implante coclear.

Como orientar alguém sobre deficiência auditiva?

As causas da deficiência auditiva são variadas. As mais simples envolvem infecções auditivas, deformações naturais do ouvido, envelhecimento ou constante exposição a sons e ruídos muito altos. Já as causas mais complexas envolvem lesões, perfurações e doenças como caxumba e meningite.

Todo o histórico do indivíduo será analisado junto ao otorrinolaringologista, para identificar a origem do problema e potencializar um tratamento mais adequado a cada caso.

Além do tratamento clínico e da cirurgia, os aparelhos auditivos também são altamente recomendados. Hoje, com a evolução tecnológica e o consequente aprimoramento, os aparelhos promovem uma maior qualidade de vida aos deficientes auditivos, sem ruídos, danos ou incômodos à vida da pessoa que apresenta essas dificuldades.

De qualquer forma, caso observe qualquer indicação de uma possível deficiência auditiva, procure um profissional para melhor avaliação. Ou, ainda, indique este artigo para alguém que esteja precisando!

Leia também: A importância de ouvir: qualidade de vida e contato com o mundo

 

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